Chapa Bomtempo/Mustrangi

Não há dúvida que a entrada do ex-prefeito Rubens Bomtempo, na disputa eleitoral desde ano, promove uma mudança no cenário político e mexe de alguma forma com a estratégia eleitoral dos demais candidatos. Isto, no entanto, não quer dizer que Bomtempo vai para o segundo turno. Ele sozinho tem grandes chances e tendo como vice, o também ex-prefeito Paulo Mustrangi, as chances aumentam e coloca a chapa deles como uma das favoritas para o segundo turno.

Apesar de ficar mais complicado para o prefeito Bernardo Rossi consolidar sua eleição para o segundo turno. A presença de Bomtempo e Mustrangi juntos na eleição faz com que ele não seja o único foco de críticas dos demais candidatos.

Não há dúvida de que os candidatos que vinham fazendo até o momento, uma pré-campanha tendo como alvo a administração Bernardo Rossi, agora voltam seus olhos também para administração Bomtempo e Mustrangi. Eles foram prefeitos em momentos diferentes, mas um sucedeu o outro e foram administrações completamente distintas.

Neste cenário político podemos voltar ao passado, não tão distante e lembrar que a política é bem dinâmica. Pois, aliados no passado, podem ser adversários num determinado momento e voltar a serem aliados em outro. Olhando para os três agentes políticos citados acima, penso o que há em comum entre eles? Considerando apenas o pleito eleitoral, o que há em comum é que Paulo Mustrangi tanto apoiou Bomtempo (eleição de 2000) como apoiou Rossi (eleição de 2016).

Por meio de mensagens, vários candidatos afirmaram que mantém a candidatura, frisando que não há nenhuma possibilidade de acordo qualquer candidato. No entanto, como a política é dinâmica, até o registro definitivo na Justiça Eleitoral muita coisa pode acontecer.

Como dizem: muita água vai passar por debaixo da ponte.

Covid-19 e as eleições municipais

Nos últimos meses, com a pandemia, causada pelo Covid-19, muito se discutiu no campo político sobre as medidas adotadas pelos prefeitos e pelos governadores, principalmente no que diz respeito ao isolamento ou distanciamento social.

Não há dúvida que, um problema sanitário, de prevenção e de saúde se transformou numa disputa política entre os mais diversos grupos políticos e, principalmente, pelo Governo Jair Bolsonaro que até o momento mantém no Ministério da Saúde um ministro interino.

Não quero aqui dizer quem está com a razão, porém o fato é que, se as medidas de distanciamento e isolamento social e as barreiras sanitárias não tivessem sido adotadas em Petrópolis, a situação estaria muito pior do que estamos vivendo.

É fato que, enquanto não tivermos uma vacina para prevenção contra o Covid-19, ainda vivemos num clima de tensão e medo do que pode acontecer com qualquer um. As medidas de distanciamento social e prevenção com uso de máscara e lavar as mãos continuam sendo essenciais para evitar o contágio e a disseminação acelerada do vírus. Nesse ambiente ainda “inseguro” precisamos aprender a viver e como dizem o “novo normal”.

Os argumentos usados pelos diversos grupos para justificar suas posições políticas e não sanitárias e de saúde, levaram o país ao caos que se estabeleceu na área de saúde. Com isso, mais uma vez, os políticos que reclamam da interferência do Poder Judiciário na política, permitiram ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir os rumos do país, garantindo aos prefeitos e governadores o poder de tomar decisões e implantar medidas sanitárias e de prevenção.

A pandemia é um assunto de saúde pública, que deveria ser cuidada, orientada e organizado pelo Ministério da Saúde em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde e os mais diversos institutos, faculdades e centros de pesquisas brasileiros. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem todas as condições para fazer esta articulação hierárquica e organizacional beneficiando toda população. No entanto, governantes em todos os níveis preferiram levar tudo para o campo político e ideológico deixando à população a margem, a espera de soluções para problemas criados por causa da discussão meramente política.

Além desta situação, muitos prefeitos atuaram no combate ao Covid-19 de olho nas eleições municipais, certos de que poderiam usar este momento a seu favor e com isso buscar, com mais tranquilidade a sua reeleição. Quem pensou desta maneira cometeu um grande erro, pois, se medidas tomadas foram boas para conter a disseminação do vírus, o resultado no campo econômico e social mostrou a ineficiência do poder público em atender a população.

Petrópolis é o exemplo claro disto. Segundo fontes, o governo municipal atuou nos últimos dois meses com pesquisas para definir que medidas tomar para por fim ao isolamento social. Isto com toda certeza de olho nas eleições municipais. Se de um lado acertou com as barreiras sanitárias (desde o início apoiei, pois como fui presidente do Conselho Municipal de Saúde sei que a capacidade do município em atender os petropolitanos seria comprometida sem elas) erra ao pensar que tais medidas, por mais certas que sejam vão ajudar ou melhorar sua situação nas eleições municipais.

Os pré-candidatos a prefeito, oposição ao atual prefeito, também não pensem que estão fora do alcance dos olhos atentos do eleitor. Pois quem se eleger prefeito terá que ter bem claro as medidas que vão tomar para garantir a saúde dos petropolitanos frente ao Covid-19 e as ações para promover o desenvolvimento econômico da cidade.

O eleitor petropolitano terá um olhar mais amplo sobre esta situação e não tenho dúvida que um olho estará nos candidatos a prefeito da cidade e o outro no presidente Jair Bolsonaro. A partir daí tomará sua decisão em quem votar ou se vai sair de casa para votar.

 

A difícil tarefa de Jamil Sabrá

Não dúvido que o ex-vereador Jamil Sabrá Neto é um dos nomes fortes a disputar as eleições municipais deste ano em Petrópolis. Talvez, apenas talvez, muitos possam discordar, mas, o fato de ter um nome tradicional, ter passado pela Câmara Municipal e por ser um opositor as políticas adotadas pelo prefeito Bernardo Rossi, o faz um concorrente forte.

Mas, com os últimos acontecimentos na política estadual envolvendo o PSC, Jamil Sabrá terá uma árdua tarefa de mostrar que seu nome não está e não esteve vinculado ao governador afastado, Wilson Witzel e nem ao presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Segundo uma fonte, a ida dos irmãos Sabrá (Jamil e Bernardo) para o PSC se deu por meio do secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes e a aproximação com o vice-governador Claudio Castro, que agora exerce o cargo de governador do Estado do Rio.

Jamil e Bernardo terão que torcer e rezar a todos os santos para que Claudio Castro não seja também afastado, pois ele também está sendo investigado. Mas, segundo fontes, não há nenhuma prova concreta que liga o vice-governador as ações do governador e nem ao esquema apontado pelo Ministério Público de que Claudio Castro e o presidente da Alerj, André Cecilliano trabalham juntos para direcionar recursos do orçamento para municípios escolhidos pelos deputados estaduais.

PTC vai decidir entre Jamil Sabrá e Ozório Barbosa

O PTC, comandado por Felipe Alberto Abreu da Hora, tem um acordo com o PSDB de caminharem juntos nas eleições municipais deste ano em Petrópolis, apoiando o mesmo candidato a prefeito.

A aposta inicial é na candidatura do ex-vereador Jamil Sabrá Neto. No entanto, o PTC sendo um partido democrático, abriu espaço para que o seu filiado, Ozório Barbosa lançasse sua pré-candidatura a prefeito.

Felipe da Hora explicou que este é um processo natural e não viu problema na pré-candidatura, frisando que o PTC, assim como o PSDB, vão apoiar o candidato mais bem colocado.

A pergunta que fica é se o PSDB e o PTC vão caminhar juntos com o PSC, partido do pré-candidato Jamil Sabrá, depois do afastamento do governador Wilson Witzel e da prisão do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Governador do Rio é afastado e agrava crise política no Estado

O Estado do Rio de Janeiro ainda não se recuperou da crise política causada pelos ex-governadores Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão e agora vive mais uma, que é com o governador Wilson Witzel, afastado do Governo do Estado por seis meses por decisão do Superior Tribunal de Justiça.

Denunciado de fazer parte de um esquema de enriquecimento ilícito, o govenador Wilson Witzel agrava a crise política estadual, que já não vinha bem devido a sua ineficiência em dialogar com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj.

Com seu afastamento, o Estado do Rio é único Estado a ter quatro governadores presos (Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sergio Cabral, Luiz Fernando Pezão) e um afastado (Wilson Witzel), todos acusados, afastados, denunciados ou presos por estarem envolvidos em esquemas de enriquecimento ilícito.

Além do governador Witzel, o Superior Tribunal de Justiça determinou a busca apreensão contra a primeira dama do Estado, Hele Witzel e também contra o vice-governador Claudio Castro e o presidente da Alerj, Andre Cecilliano.

O problema agora é saber quem assume o governo do Estado. Na linha de sucessão o primeiro seria o vice-governador, o segundo o presidente da Alerj e por último o presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Teremos que aguardar ainda ao longo do dia para saber qual a determinação do Tribunal Superior de Justiça para saber se há impedimento para o vice ou o presidente da Alerj assumir o governo do Estado.

Além do afastamento do governador e a busca e apreensão contra os três citados acima, o Superior Tribunal de Justiça determinou a prisão do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão e do ex-prefeito de Volta Redonda Gothardo Netto.

Todos denunciados pela Procuradoria-Geral da República por corrupção. Os únicos que ainda não foram denunciados foram o vice-governador e o presidente da Alerj.

A operação da Polícia Federal denominada “Tris in Idem” é um desdobramento de outras operações e resultado da deleção do ex-secretário de Saúde do Estado, Edmar Santos. De acordo com a Procuradoria da República o esquema com participação do governador teria três esquemas:

A caixinha da propina – realizada por meio de licitações que beneficiava organizações sociais e com isso pagavam propina a agentes políticos e servidores.

Os restos a pagar – era um esquema que contava com decisões judiciais trabalhistas que favoreciam organizações.

Sobras de duodécimos – a sobra dos recursos da Alerj que deveria voltar para os cofres públicos era depositado no Fundo Estadual de Saúde e repassado para os fundos municipais de saúde. Com isso, algumas cidades receberam mais recursos que outras, beneficiando deputados que participavam do esquema que indicavam para quais municípios o dinheiro deveria ser enviado.

Ozório Barbosa é o mais novo pré-candidato a prefeito de Petrópolis

Para quem ainda não sabe, Petrópolis conta com 15 pré-candidatos a prefeito e não 14, como vêm sendo divulgado nas últimas semanas. O mais novo pré-candidato é o teólogo, Ozório Barbosa e está filiado ao PTC.

Ozório Barbosa disse que vem trabalhando para consolidar sua pré-candidatura no PTC e também no meio político e acredita ser uma esperança para o petropolitano cansado de ver os mesmos nomes disputando a Prefeitura.

Ele disse que a sua motivação em lançar sua pré-candidatura “vêm do clamor popular, tendo em vista que o povo tem manifestado o desejo, de ter um representante, que verdadeiramente conheça as suas necessidades”, frisando que conhece bem as dificuldades da população.

Para ele, Petrópolis não precisa de nenhum projeto mirabolante e por isso, tem por meta combater a corrupção a nível municipal, não negociar cargos de assessores e buscar trabalhar com técnicos, priorizando o servidor. “Precisamos rever todos os contratos de concessões no nosso município e fazer uma gestão séria, desta maneira todos os órgãos do município passam a funcionar de forma orgânica e atendendo com qualidade o povo petropolitano” afirmou Ozório.

Mesmo sendo maioria, participação da mulher ainda é pequena política

Vereadora Gilda Beatriz e a candidata a prefeita Livia Miranda pelo PCdoB

Num país onde o número de mulheres é maior do que o universo masculino, é incompreensível que ainda em 2020 para as eleições municipais deste ano, há apenas uma mulher candidata a prefeita em Petrópolis, Livia Miranda pelo PCdoB. Conforme os dados da eleição de 2016, o eleitorado feminino foi de 53,1% e masculino 46,8%. Apenas 0,13% não informou o gênero. Apesar deste dado, 11% de mulheres se candidataram em 2016 e 89% foram candidatos homens. Para este ano o eleitorado até julho, conforme dados do TSE é: feminino 53%, masculino 46% e 0,10% não informou o gênero

Com apenas uma mulher como candidata a prefeita fica claro que a eleição ainda continua dominada pelo universo masculino. Ao longo dos anos, as administrações públicas dominadas por homens têm se mostrado ineficiente com relação a política pública e no atendimento à pessoa humana.

É verdade que, em algumas prefeituras no Brasil, onde a administração é feita por mulheres, estas também deixaram a desejar. Mas, é visível que essas administrações, apesar de ter mulheres à frente ainda são dominadas pelo universo masculino que tem total influência, principalmente sobre partidos políticos, pois a maioria são presididos por homens e uma pequena minoria, muito pouco são dominados por mulheres.


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Para as eleições presidenciais tivemos candidatas mulheres e uma delas, Dilma Rousseff chegou a ser eleita, no entanto, devido a inúmeros problemas sofreu o impeachment. Desde então, o Brasil vive um caos político, que levou um ex-presidente para cadeia, outro denunciado e a eleição do presidente Jair Bolsonaro, cujo posicionamento político mantém o país dividido politicamente e ideologicamente, cujo início se deu quando houve a disputa entre Aécio Neves e Dilma Rousseff.

Em Petrópolis a situação não é diferente, pois, desde o início de sua história, a Câmara Municipal teve apenas quatro mulheres eleita vereadora e apenas uma conseguiu se reeleger, a vereadora Gilda Beatriz. Apesar deter todas as condições que a qualifica para ser candidata a prefeita, a vereadora Gilda mudou de partido, deixando o MDB e indo para o PSD onde apoia a candidatura do vereador Leandro Azevedo.

Com objetivo de romper o domínio masculino na eleição municipal, a professora Livia Miranda aceitou o desafio de seu partido e se lançou candidata a prefeita. Neste universo dominado pelos homens, sua candidatura, mesmo sendo por um partido de esquerda e com poucos recursos quer mostrar algo novo, mas, enfrenta o domínio de grupos políticos.

Na cidade imperial, os homens dominam a presidência dos partidos, assim como a eleição para prefeito, pois poucos partidos são presididos por mulheres. Esta situação é absurda, pois conforme dados do IBGE as mulheres são maioria e também de acordo com os dados do TSE o número de eleitores é dominado por mulheres. Mesmo com a legislação eleitoral garantindo a participação das mulheres na política, elas continuam sendo minoria, mostrando que não basta ter lei, é preciso uma mudança de cultura e de postura política social.